Os jornais: impressos para um dia, conservados pela a eternidade.

Os jornais pelo mundo


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Sexta-feira, Abril 02, 2004 :::



Aqui consta uma relação de todos os jornais que possuo. Há edições dos quatro continentes e optei por dividi-los por países ou territórios autônomos. Tudo isso, proporciona consequentemente uma panorâmica cultural bem abrangente.

Na maioria dos casos tenho várias edições diferentes de cada jornal, bem como edições comemorativas de fatos históricos e de aniversário da publicação.

São publicações que refletem uma variedade muito grande de posicionamento ideológico, cultura e público a que se destinam. A coleção possui exemplares desde jornais de informação geral internacionalmente conhecidos, passando por separatistas, socialistas, de extrema direita a jornais de minúsculas cidades européias e canadenses, cuja existência é uma prova de que para alguns povos a imprensa é um gênero de primeira necessidade, por menor que seja o público a que se destinam. Se você desejar, vá até o arquivo e leia os seguintes artigos:

Os jornais pelo mundo
Curiosidades
Periódicos: documentando o nosso tempo
Como conservar uma coleção de jornais
Porque coleciono periódicos estrangeiros
Breve história dos jornais


Relação de jornais



Åland (arquipélago autônomo da Finlândia de língua sueca)
Nya Åland


Alemanha
Der Reporter
Deutche Stimme
Leipziger Amts-Blatt
Die Liberale
Die neue Brücke (publicado pelo governo de Wittenberg, terra de Martinho Lutero)
Neues Deutschland
Nordkurier
Sylter Rundschau
Thüringer Allguemeine
Unsere Zeit (do Partido Comunista Alemão)
Magdeburger Volksstimme
Schleswig - Holsteinische Landeszeitung
TZ
Thüringische Landeszeitung
Staats Zeitung
Aftonbladet
Bild
Berliner Morgenpost
Die Welt
Berlins Grössete Zeitung
Sonntagsblatt (evangélico)
Evangelische Kirchen Zeitung (evangélico)
Kasseler Sonntagsblatt (evangélico)
Evangelisches Gemeindeblatt (evangélico)
evangelischer Kirchenbote (evangélico)
Glaube und Heimat (evangélico)
Der Sonntag (evangélico)
Meclenburgische & Pommersche Kirchenzeitung (evangélico)
Nordelbische Kirchen Zeitung (evangélico)
Die Kirche (evangélico)
Unsere Kirche (evangélico)
Evangelische Zeitung (evangélico)
Der Weg
New aktuell
Bodensse Ferien Zeitung
Die Tageszeitung junge Welt
Amtsblatt
Schweriner Kurier
Pinneberger Zeitung
Hamburger Abendblatt
Schweriner Volkszeitung
Nowy Casnik (em língua sórbia)
Predzenak (em língua sórbia)
Serbske Norwiny (em língua sórbia)
Pinneberger tip
Der Mittwoch
Pinneberger Tageblatt
Schau fenster
Freitag
Münchener Merkur
Nurnberger Nachrichten
Norddeutsche Neueste Nachrichten
Handelsblatt
Frankfurter Rundschau
Der Tagesspiegel
Junge Freiheit
Schweriner Express
Schweriner Volkszeitung
Extra-ran
Bayernkurier
Die Rheinpfalz
Wochenblatt
Wochenkurier
Märkische Allgemeine
Süddeutsche Zeitung
Die Neue Brücke
Berliner Zeitung
Berliner Kurier
Berliner Abendblatt
Sächsische Zeitung
Islamische Zeitung
Rote Fahne (órgão oficial do Partido Maxista-Leninista da Alemanha)
Rheinischer Merkur
Die Zeit


Andorra
Diari d'Andorra
El Periòdic
7 Dies


Angola
Jornal de Angola
Correio da Semana


Argentina
Argentinisches Tageblatt (em alemão)


Austrália
The Sydney Morning Herald


Áustria
Kleine Zeitung
Wirtschafts Blatt
Kronen Zeitung
Falter
Tiroler Tageszeitung
OöNachrichten
Der Standard
Klagenfurt (publicado pelo governo da cidade de Klagenfurt)
Steirische Nachrichten (partidário, de Haider)
Neue Freie Zeitung (partidário, de Haider)
Der Uhrturm (partidário, de Haider)
Wiener Zeitung
Kurier
Die Furche
Die Presse


Bélgica
De Morgen
Het Volk
Sport Wereld
Het Belang van Limburg
De Standaard
The Wall Street Journal Europe
L'Echo
Le Soir
Brüssel-Rundschau


Brasil
Brasil-Post (para os descendentes de alemães no Brasil)
Jornal Nippo-Brasil (para a comunidade japonesa no Brasil)
Jornal Chinês para a América do Sul
Il Titano (da comunidade italiana e san-marinense na América Latina)
Il Giornale (para a comunidade italiana)


Bulgária
Bulgarisches Wirtschaftsblatt (em alemão)


Camarões
Cameroon Tribune


Canadá
L'Express
The Telegram
Community News
Le Droit
Albertaner (em alemão)
Macleod Gazette
Winnipeg Free Press
Deutsche Rundschau (em alemão)
Nanton News
The Review
The Adventure
Times Colonist
The Hill Times
Toronto Star
The Globe and Mail
Der Bote (maronita em alemão)
The Western Producer (agrícola)
The Ottawa Sun
Le Soleil
The Hamilton Spectator
Kanada Kurier
etc...news
Prince Albert Daity Herald
Cape Breton Post
The Hamilton Spectator
Métis Youth Gazette
Calgary Herald
The Canadian Jewish News
La Presse


Chile
Condor (em alemão)


China
China Youth Daily (em chinês)
Renmin Ribao (Diário do Povo, jornal do Partido Comunista da China)
China Daily (em inglês)


Chipre
Cyprus Mail


Cuba
Trabajadores
Granma (edição internacional)
Orbe
Juventud Rebende


Dinamarca
BT
Søndagsavisen
Børsen
østerbro Avis
City Avisen
Nørrebro Avis
Nord-Vest Avisen
Politiken
Ekstra Bladet
Dagbladet Arbejderen (partidário socialista)
Der Nordschleswiger (em alemão)


Equador
Hoy


Espanha
El Pais
E'Estel (de Mallorca, partidário da independência catalã)
Costa Blanca Nachrichten (em alemão)
O Correo Galego (em galego)
El Ideal Gallego (em espanhol)
Laz Voz de Galicia
Costa Blanca Zeitung (em alemão)
El 9 Nou (em catalão)


Estados Unidos
People's Weekly World (órgão oficial do Partido Comunista dos EUA)
The Catholic Times
The Oklahoman
The Deal
The Valley Independent
St. Louis Post-Dispatch
City Paper
The Washington Times
Crain's
Pittsburgh Tribune-Review
The Chronicle of Higher Education (universitário)
Church News (Mormon)
The Christian Science Monitor (religioso)
USA Today
The New York Times
World (em inglês e espanhol, do Partido Comunista dos EUA)
The Wall Street Journal
The Journal of Commerce
The Washington Post
Jama - The Journal of the American Medical Association


Finlândia
Medborgarbladet (partidário e em sueco)
Svensk Framtid (partidário e em sueco)
City in English (em inglês)
Helsingin Sanomat
Tucun Sanomat
Pohjalainen
Aamulehti


França
DNA - Dernieres Nouvelles d'Alsace
Riviera-Côte d'Azur Zeitung (em alemão)
L'Echo de Savoie
Ouest France
Libération
Le Monde


Gana
Ghanaian Times



Grécia
(de Topeiros, não identificado)
To Vima (em letras gregas: To Bhma)


Haiti
Haïti en Marche


Holanda
de Volkskrant
NRC Handelsblad


Hungria
Népszabadság
Magyar Nemzet
Balaton Zeitung (em alemão)


Ilhas Falklands (Malvinas, Reino Unido)
Peguin News


Ilhas Faroe (território autônomo do Reino Unido)
Socialurin


Ilhas Man (território autônomo do Reino Unido)
Courier
Manx Independent


Indonésia
Kompas


Irã
Iran Daily
Iran News
Hamshahri
Ettelaat


Irlanda
The Irish Times
Inside Cork
Dublin Daily
Evenig Echo


Islândia
Morgunbladid


Israel
Haaretz
Maariv


Itália
Dolomiten (em alemão)


Japão
The Yomiuri Shimbun


Jordânia
Al Rai


Lichtenstein
Liechtensteiner Volksblatt


Lituânia
Verslo Zinios


Luxemburgo
Tageblatt
Luxemburger Wort


Malta
The Times (em inglês)
The Sunday Times (em inglês)


México
La Jornada
Excelsior
El Universal
The Herald (edição mexicana em inglês do The Miami Herald)
El M (jornal gratuito distribuído nas estações de metrô da Cidade do México)
Opcit (aborda literatura)


Moçambique
Notícias


Noruega
Aftenposten


Nova Zelândia
The New Zealand Herald


Paraguai
Úitima Hora


Peru
Expreso
El Comercio
Gestión


Polônia
Schlesisches Wochenblatt (em alemão)


Portugal
A Voz da Gente Miúda
Público
Diário de Notícias
Jornal da Bairrada
Madeira Aktuell Zeitung (em alemão)
O Independente
Região Sul
The Portugal News (em inglês)
A Voz de Chaves
Labor
Jornal de Notícias


Reino Unido
The Voice of Freedom (partidário, BNP, nacionalista)
The Western Mail (do País de Gales)
Evening Gazette
The Independent
Kent Today
The Journal
Kent on Sunday
The News
The Voice
Evening Mail
The Guardian
Euro Week (sobre o mercado financeiro)
New Zealand News UK (da comunidade neozelandesa no Reino Unido)
Methodist Recorder (metodista)
The Orchid
Christian (evangélico)
The Herald Tribune (international)
BT - Baptist Times (evangélico)
Church Times (evangélico)
The Church of England Newspaper (anglicano)
The Daily Telegraph
English Churchman (anglicano da Igreja da Inglaterra)
British Medical Journal


República Eslovaca
Pravda
Slovenska Republika


República Tcheca
Prager Zeitung (em alemão)
Eghalånd Bradl (em alemão)


Rússia
Rossiyskaja Gazeta


Senegal
Le soleil
Walfadjri
Le Populaire
L'Actuel
Sud


Suécia
Göteborgs-Posten
Syndsvenska Dagbladet
Nya Wermlands-Tidninguen
Svenska Dagbladet
Dagens industri


Suíça
Der Bund
Zuger Woche
Gazeta Lusófona (em português)
La Quotidiana (em língua rética)
Finanz und Wrtschaft
Neue Zürcher Zeitung
Tribune de Genève
Le Temps
Neue Nidwaldner Zeitung
Neue Luzerner Zeitung
Neue Zuger Zeitung
Le Matin
La Gruyère
Frindolin
Brückenbauer
Baslerstab
Blick
Bote
24 heures
Le Nouvelliste
Construire
L'Impartial
Engadiner Post
Höfner Pfarrblatt
Le Courrier
Corriere del Ticino


Svalbard (território da Noruega)
Svalbard Posten


Tailândia
(tailandês não identificado)


Taiwan
China Times (em chinês)


Uruguai
Busqueda


Ucrânia
Uryadovy Kuryer
Голос України


Vaticano
L'Osservatore Romano


Venezuela
El Universal


Visite também O mundo em revista em www.asrevistas.blogger.com.br
Para mais informações, sugestões ou comentários: adriano.mcosta@swissinfo.org


::: posted by Adriano at 9:59 AM



Os jornais pelo mundo

por Adriano Costa



Através da imprensa periódica estrangeira podemos visitar terras distantes sob um ponto de vista muito especial: o mesmo dos habitantes locais. É possível quase se sentir um deles. Nos deparamos com seus problemas, suas tristezas, suas conquistas, suas alegrias, enfim seu cotidiano. É um povo escrevendo para o seu próprio povo, sem intermediários.

Mesmo sem ter muito conhecimento da língua na qual a publicação está escrita, mas com a ajuda das ilustrações e das fotos, pode-se ter uma idéia do tipo de informação que cada povo valoriza. Assim como fazem os vestibulandos diante de uma prova de língua estrangeira: o importante é o que se entende do texto com o auxílio das imagens de algumas palavras cognatas.

Conteúdo - Há jornais que dão destaque ao balé na primeira página, outros dão ênfase ao rugby ou aos resultados do hóquei. Ainda podemos ver o que está passando na TV local e ter a prova de que o cinema americano realmente é dominante. A maioria dos seriados de TV (também americanos) não são diferentes dos que passam aqui no Brasil.

Sabe aqueles folhetos de supermercado que costumam vir dentro de nossos jornais e que dependendo da demografia de nossa despensa costuma despertar ou não o nosso interesse? Nos jornais estrangeiros não é diferente. O interessante é que podemos dar uma olhada na dieta cotidiana dos habitantes daquele país e descobrir algumas coisas interessantes.

Muitas vezes lemos num grande jornal internacional tipo New York Times, numa revista como Time ou em um canal de TV como a CNN notícias sobre o Irã vista segundo o ponto de vista ocidental e mais especificamente americano. Ao lermos um jornal iraniano em inglês, podemos ver o ponto de vista iraniano. É certo que o Irã não é um primor de democracia, mas a vantagem disso é poder ter um segundo ponto de vista sobre um mesmo assunto. E em tempos de hegemonia política, militar e econômica, nada é tão importante.

É possível conferir o tipo de humor praticado nas charges de jornal em diversos países. Os chargistas têm em comum o gosto por ridicularizar seus governantes e as celebridades da política internacional. É claro que nem todos vivem no mesmo nível de democracia. Algumas charges não têm para nós nenhuma graça porque para rir delas precisaríamos saber em detalhes algum fato de interesse puramente local.

Na seção de cartas dos leitores, podemos ver quais são as preocupações, as retificações e as opiniões que os leitores costumam fazer naquele periódico. Há quem aborde temas que dificilmente gerariam qualquer polêmica em outros países.

Suporte físico - A prosperidade de um país também reflete em seus jornais: os europeus são caprichossísimos na apresentação (mas nem sempre no conteúdo). Já os africanos costumam ser mal diagramados, cheios de falhas de impressão, fotos quase ilegíveis e comumente fazem loas aos feitos dos governantes locais. Assim como os jornais africanos, os cubanos também ficam com suas páginas amareladas, fruto da má qualidade do papel. Podemos imaginar os motivos que levam esses povos a não poderem imprimir seus jornais em um papel melhor como os europeus...

Os povos pobres têm outras preocupações, como seus problemas para serem noticiados em seus jornais. A preocupação quanto a qualidade do papel (chamado de pasta mecânica) ou da tinta é de menos. Mas o problema é que, via de regra, ele normalmente já é muito ruim, uma vez que a intenção do jornal é ter grande circulação, ou seja, tem que custar pouco. Mesmo em condições favoráveis de acondicionamento, a tendência é ficar quebradiço (acidificar), e é muito comum nesse caso o jornal exalar um odor ácido (de vinagre ou cloro, dependendo do papel).



Nos centros de documentação de alguns países os jornais mais antigos são microfilmados, para que não só se evite o manuseio dos originais pelo público (o grande causador da degradação dos jornais), como também para assegurar a preservação de pelo menos, das informações neles contidas.

O problema é que além dos jornais africanos se degradarem rapidamente pela má qualidade do suporte em que são impressos, tudo se agrava porque nesses países não há recursos financeiros suficientes para que se tenham centros de documentação com tecnologias avançadas como a microfilmagem que assegurem a preservação da memória do país através dos jornais. E os povos africanos são os maiores perdedores porque ficam sem fontes de pesquisa científica e sem a memória de seu passado. Não parece também que os governantes na África tenham interesse na preservação da história de seu povo.

De qualquer forma, os jornais de países pobres, se não são meros instrumentos políticos, merecem crédito por tentar informar uma população com um grande número de analfabetos, governados geralmente por um ditador e por uma elite que se perpetua no poder.

Depois dos atentados de 11 de setembro, quase todo jornal local os Estados Unidos ostentam bandeirinhas americanas em seu cabeçalho.

Os europeus lêem jornais de excelente qualidade. Mas isso não é de se espantar, já que foram eles os inventores da imprensa, portanto a exercem a mais tempo, e têm uma longa tradição democrática. Já os países subdesenvolvidos são, nos melhores casos, democracias recentes. Nos piores, ditaduras.

Leitura - Quem dá uma folheada em um jornal do Oriente, nota que alguns deles são folheados pelo lado esquerdo. Têm-se a impressão que está lendo uma publicação de trás para frente.

Isso acontece com os jornais árabes e israelenses, porque as línguas árabe e hebraica se lêem da direita para a esquerda, e não do contrário como nas línguas ocidentais. Isso nos mostra que esses dois povos têm mais em comum, além de dividirem o mesmo território e da origem semita.

Quase todos os povos do mundo escrevem da esquerda para a direita. Os membros da Academia Adâmica (século II), que compareciam nus, às assembléias, para irritar a inocência de Adão antes do pecado, escreviam de baixo para cima, para render homenagem à direção de onde partiu à ciência; do alto do céu.

Os povos do Oriente (Japão, China etc.) escrevem da direita para a esquerda, em honra ao Ocidente, de onde lhe veio a luz, segundo a tradição. O Ocidente escreve da esquerda para a direita, em homenagem à raça vermelha que, para alguns, é o berço das Ciências. Na Grécia e na Rússia, houve tempo em que, não se sabendo como homenagear uma direção certa, escreviam uma linha da direita para a esquerda e a mesma frase da esquerda para a direita; por esse motivo, é que muitas de suas letras ficaram invertidas no alfabeto russo.

Mistério alemão - Mas há um caso intrigante que carece de estudos mais aprofundados. A Alemanha nunca foi uma potência colonial, mas os alemães e seus descendentes são obcecados por publicar jornais em alemão pelo mundo. Quase todos os países do mundo têm pelo menos um jornal para a leitura de quem fala a língua de Goethe.


Jornal em alemão na Argentina

O curioso é que isso é um caso único, porque o mesmo não acontece, por exemplo, com o francês e o espanhol. A França e a Espanha tiveram muito mais colônias que a Alemanha e são nações cujos idiomas estão disseminados pelos quatro cantos do mundo.

Não me refiro aqui a publicação de jornais de modo geral. É claro que há mais países falando francês e espanhol como línguas nacionais, portanto, em número absoluto há muito mais jornais escritos nessas línguas do que em alemão. Eu me refiro aos jornais publicados em uma língua diferente da que é usada em cada país. Como, por exemplo, os jornais em alemão, italiano ou chinês publicados no Brasil. Nisso, os alemães ao que parece ganham em disparada. E em muitos casos, são periódicos que têm uma longa tradição de publicação ininterrupta. Alguns já fizeram 100 ou 150 anos que são editados. Não é atoa que Johann Gutenberg, o pai da imprensa, era um alemão. Seria isso uma forte influência?

É evidente que existem muito mais periódicos em inglês impressos pelo mundo. Os jornais em língua inglesa mais expressivos não são editados por ingleses e americanos residentes no exterior e seus descendentes. Mas por empresas e organizações com intenções empresariais e turísticas. Se destinam a leitura de visitantes e homens de negócios em visita ao exterior. Por ser uma língua internacional, publicar em inglês é uma forma de alcançar pessoas de qualquer país.

Porque colecionar- Por tudo isso uma coleção de jornais, mais do que de selos, é uma excelente maneira para conhecer diferentes culturas e praticar a leitura de uma língua estrangeira. Pois os textos jornalísticos, como regra geral, são escritos da forma mais clara possível e se os jornais forem atuais eles irão trazer muitas informações não só sobre a língua padrão daquele povo, mas também sobre as expressões mais atuais. Não é a à toa que muitos cursos de línguas disponibilizam publicações estrangeiras (jornais e revistas) para seus alunos.

Além disso, já que jornais ocupam um espaço físico muito maior que selos ou postais, seria interessante se dedicar a uma temática específica de acordo com os seus interesses, como por exemplo, jornais em língua inglesa, só americanos, apenas europeus, socialistas, alemães ou só os da América Latina. Pode-se também se fazer uma coleção só de jornais brasileiros. Tal qual uma coleção de selos.


::: posted by Adriano at 9:53 AM



Curiosidades


"As notícias sobre a minha morte foram grandiosamente exageradas."
Mark Twain, escritor americano, ao The New York Times, em 1901

"Senti-me mal quando vocês me chamaram de esquisita e definiram meus filmes como 'veneno de bilheteria'. Mas, quando soube que vocês disseram que Farrah Fawcett tem gelatina no lugar do cérebro, senti-me honrada em ser mencionada numa publicação de tamanha classe.
Geena Davis, atriz, ao Los Angeles Times, em 1997


O que se debate no Canadá



Ler jornal, pelo menos o noticiário local, às vezes vira um bálsamo. Em Toronto, então, parece uma vitrine de esperanças. Imaginem que a principal manchete do fim de semana passado abordou uma abrupta falha nas previsões econômicas. O "Armínio Fraga" [ex-presidente do Banco Central do Brasil] do estado de Ontário [sic] errou feio e a arrecadação estadual, de janeiro a outubro, foi superior à prevista.

Realmente, um "grande problema". Enquanto técnicos do setor de planejamento procuram a origem da benéfica falha, as mobilizações já começaram. Há reuniões marcadas com líderes de entidades de classe para tentar resolver o "impasse". Afinal, onde investir esta sobra de recursos? A educação é considerada impecável. A saúde, dizem, vai muito bem. O sistema de transporte beira à perfeição. Mas como sempre tem aqueles gaiatos práticos e objetivos, que acreditam encontrar soluções para tudo.

Eis que surge um ambientalista, no melhor estilo "ecochato", para lembrar que a usina de reciclagem de lixo de Toronto não absorverá a demanda daqui a uns dois anos. Sua idéia foi considerada oportuna, já que, enfim, acharam um problema...Mas a resposta dos políticos foi lacônica: as verbas para a ampliação da usina já estão previstas no orçamento de 2000.

Em meio a estressante preocupação para saber o que fazer com esta sobra de caixa, há quem prometa uma rápida solução para acalmar os ânimos. Mas se as páginas econômicas sorriem, naturalmente também há tragédias no dia-a-dia. A diferença é que, por aqui, para se manter uma editoria de Polícia, com seus inerentes sensacionalismos, é preciso fazer muita suíte (no linguajar jornalístico, suitar é dar seguimento às noticias que abordam determinado fato). Os crimes no canadá sempre viram seriados, novelas...Obviamente não são carentes econômicos-sociais que os praticam. Psicopatas e maníacos se incumbem das cenas grotescas e viram uma espécie de ícones da perversidade nos jornais. Com direito à fama, diga-se.

Lendo uma reportagem sobre determinado crime, achei que o fato tinha acontecido há poucos dias. Na verdade, num ato de relapso, não observei que o assassinato estava completando um ano e que a reportagem apenas o relembrava à sociedade. Infelizmente, é falta de hábito de minha parte (...).

Antônio Roberto Rocha (Tribuna do Norte, p.2, 29.11.1999)


"(...) é um alívio jogar no lixo as manchetes belicosas dos tablóides e se debruçar sobre o The Independent, meu jornal favotito. Ainda que sujeito a periódicas crises de indentidade, o Independent continua a ser uma alegria. No dia em que desembarquei em Londres, o destaque na primeira página do jornal era, pasmem, uma notícia boa! Deve ser o único jornal do mundo que dá notícia boa em manchete."
Pedro Bial (in Crônicas de um repórter, p. 114, Editora Objetiva, 10ª edição, 1996)


"Um dos jornais que mais admiro, o londrino Financial Times, dá emprego a jornalistas comunistas. É engraçado pensar em ingleses comunistas, não deve ter muitos comunistas na Grã-Bretenha, mas sabemos que existem alguns no Financial Times. Creio que eles não são cercados em suas opiniões, mas evidentemente não podem fazer os editoriais. Somos poucos os que temos a sorte de escrever sobre o que acreditamos.
Bernard Cassen (diretor do Le Mode Diplomatique, in Jornal dos Jornais, p. 23, nº 15, ano II, junho de 2000)


A polêmica em torno do USA Today



No dia 15 de setembro de 1982, os EUA ganharam um novo jornal diário: o USA Today. Publicação inovadora, o Today chegava às ruas com uma roupagem colorida, dentro de caixas de distribuição semelhantes a um aparelho de televisão, com várias editorias separadas em cadernos independentes extensivamente ilustradas por gráficos e quadros, uma mania nacional americana. Foi também o primeiro jornal a valorizar notícias curtas. O sucesso foi imediato e aquela 1ª edição esgotou-se em algumas horas. Todavia, segundo os críticos mais ferrenhos o USA Today era "um jornal para leitores que não sabem ler".

À Favor:

Segundo John Walter, um dos quatro editores seniors do jornal, o USA Today foi criado para desafiar as quatro verdades fundamentais existentes, até então, na comunidade jornalística americana:

- Os jornais eram e tinham que ser locais;
- Os jornais estavam morrendo;
- Os jornais não tinham condições de competir com a televisão;
- "Deus" queria que os jornais fossem em preto e branco.

Contra:

"(...) há uma falácia quanto às cores. Não se encontra hoje, na grande imprensa do mundo, um único jornal de real peso que seja impresso em cores. Isso mostra também as ferozes lacunas da nossa elite, da nossa classe média. São estupidamente exigentes, se acostumam com besteiras e não se detêm em coisas sérias. O único jornal desses que tem repercussào e que é impresso em cores é um jornal medíocre chamado USA Today. Ele não goza de respeito algum nos Estados Unidos, mas, para minha surpresa, serve de modelo para alguns jornais brasileiros."

Mino Carta (in revista Imprensa, p. 83, setembro de 1995)


O novo jornalismo na Rússia



"Os jornais e revistas soviéticos, que vinham se caracterizando desde muito tempo pelo estilo incolor e por um tom oficial e burocrático, no qual se acrescentavam notas sinistras, por ocasião dos grandes julgamentos políticos tornaram-se, a partir de 1985, com uma rapidez incrível, os grandes veículos da transformação cultural e recuperação da memória. Eles eram disputados nas bancas e, apesar da tiragem de centenas de milhares e, em alguns casos, de milhões, desapareciam em pouco tempo. O entusiasmo por esses debates chegou a tal ponto que os teatros enfrentaram uma crise: o público ficava em casa, ocupado com a leitura".

Boris Schnaiderman, in Os escombros e o mito - a cultura e o fim da União Soviética, p. 18, ed. Cia. das Letras, São Paulo, 1997)


Pérolas da censura na Alemanha Oriental



Para se publicar um jornal na Alemanha Oriental era preciso uma autorização do Estado. Os jornais eram distribuídos pelos correios. Só circulavam os que estivessem na "Lista dos Correios" que era administrada pelo governo. Portanto, ter licença para distribuí-los. Era fácil portanto suspender imediatamente a circulação de qualquer publicação.

Como todo papel usado na Alemanha Oriental era importado, o Estado praticava um severo racionamento das cotas distribuídas aos veículos impressos. Oficialmente a República Democrática Alemã chegou ater 1.770 tipos de publicações.

Na Alemanha Oriental havia apenas uma escola de Jornalismo. Era a Roten Kloster "Mosteiro Vermelho", ligada a Universidade Karl-Marx, sediada na cidade de Lepzig. Um ex-aluno dessa escola assim se referiu a profissão de jornalista na época em que seu país fora incorporado pela Alemanha Ocidental: "Eu não quero mais ser jornalista porque não posso me imaginar como um idiota correndo atrás de uma boa matéria apenas para ganhar dinheiro. O jornalismo era o partido e isso acabou".

Estes são alguns "recadinhos" e "lembretes" editados pelos censores do Partido da Unidade Socialista (único da República Democrática Alemã) aos chefes de redação. A Alemanha Oriental não existe mais, foi incorporada pela ocidental em 1990. Mas essa história de censura ficará para sempre como um elogio à burrice e à desinformação.



12.03.1981 - Repetimos nosso pedido de não usarem expressões como "casa velha" ou "construção antiga" nos textos. Os moradores de tais habitações não devem se sentir pessoas de 2ª classe. Até ordem contrária, não precisamos abordar o tema sobre a construção de novos jardins de infância ou escolas.

17.09.1882 - O jornal Liberal-demokratischen publicou uma receita de cenoura com amêndoas. Atenção, redações: isso é inaceitável! Com atitudes como essa, nós só provocamos perguntas e atiçamos o desejo da população.

15.10.1982 - Lembramos mais uma vez que o tema "proteção ao meio ambiente" deve ser evitado. Não ajudamos em nada o leitor, por exemplo, contando sobre a poluição do ar, pois não há nada que possamos fazer para deter o problema. Por isso fica proibido falar também sobre energia solar.

23.10.83 - A mudança ortográfica da língua alemã não será discutida em nossos jornais. A todos os chefes de redação pedimos destaque de página inteira sobre o plano governamental de restauração de prédios.

20.11.1983 - Com relação à política externa, comunicamos: a) não faremos nenhuma especulação sobre a eventual chegada de novas armas no oeste europeu;
b) não divulgaremos nada sobre o controle de saúde em crianças de até um ano de idade nem citaremos nada a respeito do avanço dos métodos de controle de açúcar no sangue, desenvolvidos no exterior.


Para jornalista mexicana falamos italiano

Em abril de 1999 a colunista Guadalupe Loaeza do jornal mexicano Reforma esteve no Brasilj, ela concluiu que os brasileiros falam uma curiosa mistura de italiano e português. Razão pela qual, ela sempre terminava os artigos sobre o nosso país com um "molto obrigado".


Um jornal de seus funcionários

O jornal Le Monde é um dos símbolos mais caros da intelectualidade francesa. Ela é controlado por uma cooperativa de funcionários. Os jornalistas detêm 35,08% das ações da companhia (pelas leis francesas quem tem mais de 30% tem direito a veto no conselho) partilhada ainda por executivos, sócios fundadores e de escalões inferiores.

O Le Monde ainda insiste em se manter um pouco distante do uso rotineiro de fotografias e modernos apelos visuais, o que dá ao jornal ares de um diário do início do século.

The Washington Post e o escândalo de Watergate

Uma série de reportagens escritas pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Berstein celebrizou esse jornal americano. Em 1972 um arrombamento na sede do Comitê Nacional do Partido Democrata no edifício Watergate entrou para a história. Cinco homens foram e levados ao tribunal.

O que parecia ser um simples caso de roubo revelou algo muito importante quando os dois jornalistas descobriram que os assaltantes haviam trabalhado para a CIA.

O escândalo levou à renúncia do presidente republicano Richard Nixon, que teria ordenado o arrombamento para a colocação de microfones ocultos no comitê democrata.

Tudo é retratado no filme Todos os Homens do Presidente (All the President's Men, 1976) com Robert Redford e Dustin Hoffman)


::: posted by Adriano at 9:42 AM



Periódicos: documentando o nosso tempo

por Adriano Costa



Os jornais não são só o papel que amanhã enrolará peixe na feira livre. É a história em movimento, o relato diário dos acontecimentos e um ginete da defesa de idéias. Não é à toa que jornal também pode ser chamado de Diário e Tribuna.

Ao se estudar a história, um dos principais suportes documentais utilizados são os jornais e as revistas, isto é, a imprensa periódica.

A imprensa periódica é fonte privilegiada pelo historiador por envolvê-lo no tempo pretérito que ele busca reconstruir e por "documentar" o passado através do registro múltiplo: do textual ao iconográfico, do perfil de seus editores ao de seus leitores, reunindo suas variadas visões de mundo e imaginários coletivos. Desta maneira a imprensa periódica, foi e continua sendo um instrumento eficaz na propagação de valores culturais, em virtude de seu caráter de momento, condensado, ligeiro e de fácil consumo.

Os pesquisadores procuram dimensionar o significado da imprensa periódica no quadro mais amplo de impresso. Tematizando suas séries, analisando títulos que espelham as práticas culturais do período, inferindo persistências e inovações daquela sociedade.

Cada país tem uma indústria de publicação de periódicos, segundo as características de seu cotidiano, conjuntura e demandas.

Os periódicos não são livros de história baseados em longas pesquisas escritas à longo prazo e com a perspectiva do passado visto pelo presente, são relatos feitos no calor dos acontecimentos, primeiras impressões, sem muito tempo para esperar, "ver pra crer" e só então relatar um fato ou uma opinião segura embasada em extensa bibliografia e inúmeras entrevistas.

Essa urgência pela hora da morte (ou dead line como dizem no meio) de todos os dias e a grande pressão de editores e pauteiros sobre repórteres é que faz os periódicos tão emocionantes.

Através da imprensa periódica é possível perceber diferenças de realidade, como as características peculiares de cada povo, suas prioridades, seus valores estéticos, seu desenvolvimento industrial, realidade social e sobretudo o estágio de democracia no qual cada nação se encontra. Elas são, portanto, úteis não só a preservação da memória de um povo como também porque elas proporcionam elementos para os estudos de técnicas de jornalismo antigas ou modernas por parte de pesquisadores acadêmicos e estudantes de Comunicação.


::: posted by Adriano at 9:37 AM



Como conservar uma coleção de jornais



Pasta de papel anti-ácido com filme de polyester.

Na Internet há poucas informações sobre a conservação de jornais, quando elas existem não estão em português, mas em outra língua. Geralmente, as informações disponíveis são sobre a conservação de papel de modo geral, ou especificamente de livros. Por isso, ao meu pedido, o perito Luís Zimparg do Cedam - Centro de Documentação e Memória da Unesp gentilmente forneceu por email algumas informações úteis e facilmente praticáveis sobre a conservação de jornais. As quais veremos a seguir.

Em termos se suporte físico as maiores preocupações são quanto a qualidade do papel (chamado de pasta mecânica) e a tinta. Mas o problema é que geralmente o papel do jornal é de péssima qualidade. Uma vez que a intenção do jornal é ter grande circulação diária, ou seja, tem que custar pouco. Mesmo em condições favoráveis de acondicionamento, a tendência é ficar quebradiço (acidificar), e é muito comum nesse caso o jornal exalar um odor ácido (de vinagre ou cloro, dependendo do papel).

Ao receber o exemplar de um jornal, é importante retirar qualquer tipo de grampo (alguns tablóides costumam ter suas páginas grampeadas), adesivos com o endereço do destinatário ou fita adesiva. Todos esses elementos podem oxidar e reagir quimicamente com o papel aumentando a degradação.

Também é importante desdobrar o jornal que normalmente vem dobrado horizontalmente ao meio. Como ele já é dobrado verticalmente, isso cria um ponto de pressão onde ocorre o cruzamento dos vincos acarretando rasgões e dificultando o ato de folheá-lo sem que isso cause ainda mais danos.

O que a maioria dos centros de documentação costumam utilizar para embalar jornais são pastas de poliondas que são feitas normalmente de polipropileno, que é um polímero inerte (isto é, não reage quimicamente). Essas pastas são bastante comuns e podem ser encontradas na maioria das papelarias. A cor mais utilizada é o azul, que protege bem da luz. Embalar os jornais em sacos plásticos grandes não são uma boa solução, pois em seu interior se forma um ambiente ácido, o que acelera consideravelmente a degradação do jornal.

O melhor é manter o jornal em um ambiente arejado e protegido da luz. A temperatura deste local deve ser fria de preferência ( em torno de 20 a 22ºC). Mas no caso da temperatura e da umidade, o mais prejudicial não é o calor ou a umidade, mas sim a variação de temperatura, por isso é útil que os jornais fiquem em algum lugar onde não incidam raios solares, ainda que conservados em ambientes quentes e úmidos, desde que a variação de temperatura e umidade não seja grande, não haverá problemas.

A limpeza dos jornais pode ser feita mecanicamente utilizando-se somente uma escova para remover a poeira (que também é uma grande causadora de degradação, uma vez que além de sua própria sujeira, normalmente ela também está impregnada de poluentes químicos, o que provocará manchas e certamente vai acelerar muito a degradação do jornal).

Caso os jornais estejam exalando algum odor ácido, é aconselhável deixá-los arejar por algum tempo (não precisa ser muito, em torno de uma hora já está bom) antes de colocá-los em uma nova embalagem, a fim de evitar a formação de um ambiente ácido no interior das pastas.


Problemas causados por vincos

Os vincos são também causadores de degradação, uma vez que a tendência do jornal é ressecar, fatalmente ele um dia irá rasgar no vinco, porém, caso o vinco já esteja feito, o melhor é deixar como está e não forçar para voltar ao estado normal, pois isso irá fragilizar essa área ainda mais. Caso já se tenha desfeito esses vincos, não há problema, deixe-os esticados mesmo.

Na verdade, o grande causador da degradação do jornal, e em tudo o mais, é o manuseio. Por isso quanto mais ele puder ser evitado, melhor. Pois a gordura excretada pela pele humana é extremamente corrosiva, ainda que você lave as mãos antes de manuseá-lo. Algumas secreções sempre sobram no papel, sendo assim, quanto menos se mexer no jornal melhor.

Em resumo: o papel do jornal é normalmente de péssima qualidade e vai degradar-se ainda que em condições ideais, portanto conserve-os em pastas de poliondas e em algum local arejado e protegido do sol. Fazendo isso, seus jornais estarão tão bem conservados quanto em qualquer centro de documentação, mesmo nos mais bem equipados a conservação não passa muito destes procedimentos.


::: posted by Adriano at 9:36 AM



Porque coleciono periódicos estrangeiros




Sou bacharel em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela UFRN e faço pesquisas em Meios de Comunicação e Educação em Natal, Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Mas nasci na cidade de Barcelona, que fica há 96 km em linha reta de Natal. Portanto, por uma questão de formação, não há o que se estranhar tanto nos motivos que me levaram a colecionar jornais e revistas.

Colecionar é sensacional. Nada consegue superar a vibração que se sente quando finalmente alguma peça nova é acrescentada a uma coleção pessoal.

Eu coleciono jornais e revistas estrangeiras desde 1990. Inicialmente, eu comecei a recebê-los, sem solicitar, por correio das emissoras radiofônicas internacionais que transmitem em ondas curtas. Isso foi em minha adolescência, antes de ter resolvido cursar a faculdade de Jornalismo. Desde então minha coleção só tem crescido.

Gosto de observar como é a vida dos habitantes de países estrangeiros do ponto de vista deles e que tipo de informação cada povo prioriza. Além disso, do ponto de vista técnico e teórico, é interessante verificar como os jornalistas estrangeiros utilizam os diferentes recursos de comunicação jornalística, como por exemplo, fotografia, artigo, crônica, reportagem, entrevista, design, charge, diagramação, uso de cores, layout, tipografia e etc. Penso que na maioria dos casos, há muito o que se aprender com eles, desde que venham acrescentar em vez de nos esmagar, nos descaracterizar e nos corromper.

Acredito que os conhecimentos que tenho a respeito do jornalismo estrangeiro e minha coleção são muito úteis não só para os estudantes e professores de Jornalismo, especialmente os que estão estudando ou ministrando as disciplinas de Jornalismo Impresso e Jornalismo Comparado, mas também para práticas educativas e para qualquer pessoa que se interesse por imprensa.

A relação dos jornais que compõe o meu acervo está no blog "Os jornais pelo mundo" (www.osjornais.blogger.com.br), já as revistas podem ser acessadas em "O mundo em revista" (www.asrevistas.blogger.com.br). Além disso, há neles algumas curiosidades sobre periódicos internacionais. E a cada nova aquisição, eles serão atualizados.

Uma das partes mais interessantes do meu acervo são os vários exemplares que tenho do Rheinischer Merkur, publicado na Alemanha (edições de 1946, 1957, 1965, 1971, 1981, 1989, 1996, 2003 e 2004). Por conter exemplares representativos de todas as décadas desde a sua fundação, são excelentes para estudos de Jornalismo Comparado.

A edição de 1946, por exemplo, é a primeira edição do jornal, pouco depois da Alemanha ter perdido a guerra. Dá para imaginar em que condições ele conseguia circular em um país completamente destruído e ocupado pelas tropas aliadas. O exemplar tem notícias sobre as revelações dos líderes nazistas durante os julgamentos de Neremberg. Qual teria sido a reação dos leitores alemães ao lerem pela primeira vez sobre os crimes daqueles carrascos, depois de longos anos à mercê das mentiras nazistas publicadas em uma imprensa sob censura?

Resolvi falar sobre a minha coleção pela Internet inspirado no Museu da Notícia (www.newseum.com) dos Estados Unidos que em seu site disponibiliza, dentre outros recursos, as primeiras páginas de centenas de jornais espalhados pelo mundo. A minha proposta é diferente mas, guardadas as devidas proporções, acredito que em comum há o interesse em discutir, analisar comparativamente e preservar a memória da imprensa diária.

Se você também se interessa pelo assunto e quer trocar idéias, têm alguma sugestão, comentário ou dúvida a respeito de jornais ou revistas estrangeiras, por favor entre em contato através do e-mail: adriano.mcosta@swissinfo.org


Um abraço,

Adriano Costa


::: posted by Adriano at 9:27 AM



Um breve apanhado sobre a história da imprensa

Kelma Jucá

A comunicação sempre se fez presente em todos os estágios de evolução humana. Ainda da Idade da Pedra, data a primeira manifestação de comunicação do homem: a Arte Rupestre - arte em rochas. As pinturas nas paredes das cavernas do período Paleolítico representam esse antigo anseio do ser humano pelo ato de comunicar.

Com o crescente desenvolvimento do "Homo sapiens", o número de informações aumentou sobremaneira e a forma de repasse de tais informações, por conseguinte, se especializou. A fabricação do papel por chineses, no século VI a. C., propiciou o florescer da cultura. Mas somente com a invenção da imprensa por Gutenberg, em 1438, a propagação da informação ganhou um fabuloso impulso.


Gutenberg e sua máquina impressora


A partir do século XV, então, os novos acontecimentos políticos, econômicos ou sociais, do Ocidente, passaram a ser registrados em papeis que circulavam nas áreas mais habitadas de cada país. Surgem, pois, as primeiras impressões efêmeras da humanidade: as gazetas, com informações úteis sobre a atualidade; os pasquins, folhetos com notícias sobre desgraças alheias e os libelos, folhas de caráter opinativo. Da combinação destes três tipos de impressos resultaria, no século XVII, um gênero intitulado jornalismo.

A origem do jornal se deu em solos ingleses, franceses, alemães e, mais tardiamente, em terreno norte-americano. Naturalmente, o crescimento do impresso periódico ocorreu de forma distinta, em cada nação. Contudo, o jornalismo em geral sofria rígidos controles do governo, o qual impunha leis severas para o seu funcionamento. Era a censura que começava a travar o pleno progresso dos impressos.

À medida que o jornal instigava seus leitores a pensar, a estimular seu senso crítico e a debater sobre a política vigente, a imprensa era vista por autoridades do Estado como prejudicial ao seu governo.

Surgiu, pois, na Inglaterra, a lei que impunha que todo jornal deveria pagar um selo para ter a permissão de circulação, o que por seu turno, fez aumentar o preço do exemplar e diminuir a sua venda. A imprensa da França viveu sob a autorização prévia, ou seja, todo o conteúdo do jornal era, assim, supervisionado por uma organização corporativa antes de ser publicado. Estados Unidos e Alemanha também padeceram com severos controles do Estado o que lhes condenou, assim como nos outros países, a ter uma vida medíocre com a publicação de assuntos de pouca relevância.

Tal cenário, no entanto, se transformou após a Revolução Francesa. Pois foi a partir dela que o jornal de todo o mundo pode demonstrar a sua real função social. Os inúmeros fatos advindos com a Revolução propiciaram uma enorme curiosidade por parte das pessoas, o que ocasionou um considerável aumento do público leitor. Este era, então, o impulso que a imprensa necessitava para a sua própria promoção, ainda que os olhares repressores não deixassem de se recair sobre os escritos impressos.

Outro fator significativo para a evolução do jornalismo foi a industrialização. A crescente mecanização tornou o processo de impressão mais rápido, mais barato e dinâmico. Logo, o público leitor aumentou consideravelmente. O século XIX é um marco divisório para toda a imprensa mundial, pois datam desse período as primeiras grandes inovações do jornal.


Impressora Alauzet (1901)

Nos Estados Unidos, o progresso da imprensa possibilitou a popularização do jornal sensacionalista, o qual expunha em primeira página imagens e notícias de caráter extremamente violentos. Nessa ocasião, os jornais norte-americanos já eram bastante ilustrados e surgem, então, as histórias em quadrinhos - seção humorística do impresso que fez grande sucesso na época.

O pleno desenvolvimento da imprensa ianque, entretanto, era impedido pela enorme extensão territorial do país. Uma saída para tal dificuldade foi a criação de cadeias - agências que estendiam informações locais a nível nacional. As cadeias ianques lograram enormes sucessos com o controle de centenas de jornais, todavia a crise de 1929 abalou a economia nacional e vetou tal êxito. Surgiu, pois, um novo formato de jornal na tentativa de diminuir gastos - o tablóide, com metade do tamanho normal de uma folha e com menos número de páginas.

A Inglaterra, por sua vez, inovou produzindo jornais com uma maior variedade de assuntos; atendendo, assim, a um maior público. O jornal inglês passava a conter espaço para os acontecimentos do dia, notícias sobre esportes, informações de interesse feminino, manchetes na capa e um modelo de página melhor definido.

A França pós-industrialização passou a ter jornais de várias tendências, estilos e orientações. No âmbito da política, germinavam jornais de esquerda, de centro e de direita. Mas também faziam-se presentes jornais religiosos e monarquistas. Já a Alemanha não operou mutações muito relevantes. Apenas as suas folhas ganharam uma paginação mais arejada, com um conteúdo mais rico e variado.

É bem verdade que desde a gênese do jornalismo, a censura sempre existiu, mas foi durante a I Guerra Mundial, que os jornais passaram a viver sobre um regime de censura ferrenha. Os impressos que não obedecessem às regras dos censores eram apreendidos e, inclusive, suspensos. As informações sobre a guerra eram obtidas por intermédio de oficiais militares que controlavam o que devia ser repassado ou não. Apenas no terceiro ano da guerra, os jornalistas foram autorizados para ir à frente da batalha, podendo colher, assim, informações in loco.

Na II Grande Guerra, os jornais já disputavam a atenção do público com o rádio e a televisão. Fato este que conferiu uma adaptação do jornal escrito à nova situação vigente. De agora em diante, as campanhas publicitárias, tímidas no século passado, começariam a ocupar maior lugar de destaque nos impressos, a fim de manter o equilíbrio econômico do periódico. A imprensa passava, desde então, a assumir, cada vez mais, uma postura empresarial como única forma de permanecer existindo.



Cronologia da imprensa escrita mundial

59 a.C. - Surge e, Roma o primeiro noticiário o Acta Diurna.

1438 - 1440 - O alemão Johann Gutenberg inventa a tipografia. Sua prensa usa tipos móveis de metal em relevo que retêm a tinta, tornando possível a reprodução de um texto com base na impressão dos mesmos caracteres.

1632 - Lançamento do jornal francês Gazzete de France, considerado o primeiro semanário impresso no mundo.

1645 - A Academia Real de Letras da Suécia promove o lançamento do sueco Post Och Inrikes Tidningar, o mais antigo jornal em circulação no mundo.

1663 - 1665 - Impressão das primeiras revistas do mundo: a alemã Erbauliche Monaths Unterredungem, a francesa Journal des Sçavans e a inglesa Philosopical Transation.

1702 - Começa a circular o primeiro jornal diário do mundo, o inglês Daily Courant.

1731 - Lançamento da The Gentleman's, a primeira revista de entreteminento do mundo.

1758 - Lançamento do jornal espanhol Diário Noticioso.

1783 - Lançamento dos jornais diário norteamericanos Pennsylvania Evening Post e New York Daily Advertiser.

1788 - Fundação do jornal inglês The Times, o mais famoso do século XIX.

1789 - 1799 - No período da Revolução Francesa são lançados na Europa 1,5 mil títulos, que representam o dobro dos 150 anos anteriores.

1814 - O alemão Friedrich Koenig (1774 - 1833) cria a impressora a vapor, capaz de imprimir até 1,1 mil exemplares por hora. O jornal londrino The Times foi o primeiro a ser impresso com a nova técnica.

1818 - O francês Pierre Lorilleux (1788 - 1865) inventa a tinta para impressões, que garantiu qualidade gráfica e rapidez para as publicações.

1835 - É fundada na França a primeira agência de notícias do mundo: a Agência Havas, criada por Charles-Auguste Havas. Ela transmite via pombo-correio informações financeiras da bolsa de Valores de Londres

1836 - O jornal francês La Presse é o primeiro a publicar anúncios pagos.

1842 - A revista inglesa The Illustrated London News é a primeira revista a usar ilustrações.

1845 - O francês Jacob Worms (1800 - 1889) inventa a primeira máquina rotativa, pela qual a impressora é alimentada com rolos contínuos de papel (bobinas). No ano seguinte, o norte-americano Robert Roe aprimora o invento e aumenta a velocidade de impressão para 5 mil páginas por hora.

1851 - Lançamento do jornal The New York Times, nos Estados Unidos.

1854 - Lançamento do jornal francês Le Figaro.

1861 - O norte-americano Matthew Brady faz o primeiro trabalho de fotojornalismo na Guerra Civil Americana.

1877 - Lançamento do jornal The Washington Post, nos EUA.

1880 - A primeira fotografia publicada pela impensa surge no jornal Daily Herald, nos Estados Unidos.

1884 - O alemão Ottmar Mergenthaler (1854 - 1899) inventa a linotipo, uma máquina para composição e fundição de caracteres que torna obsoletos os tipos móveis alinhados manualmente. O alinhamento mecânico permite a impressão numa velocidade seis vezes maior. Final do século XIX - A imprensa escrita sofre permanentes mudanças tecnológicas, principalmente na parte gráfica. A impressão em cores e a rotogravura (processo destinado à tiragem em prensa rotativa, que possibilita a gravação direta do cilindro de cobre) proporcionam mais qualidade às publicações.

1903 - Fundação do jornal inglês Daily Mirror.

1906 - O alemão Casper Herman constrói a primeira máquina offset, método de impressão que transfere caracteres ou imagens para o papel por meio de um cilindro de borracha.

1912 - O russo Lênin funda o jornal Pravda. A publicação circula até 1992 e chega a alcançar uma tiragem de 10 milhões de exemplares.

1923 - Lançamento da revista semanal norte-americana Time. A cobertura sistemática dos acontecimentos internacionais influencia revista do mundo inteiro.

1932 - O francês Henri Cartier-Bresson inicia carreira fotográfica, tornando-se o mais influente fotojornalista de sua época.

1936 - Começa a circular a revista ilustrada de informação norte-americana Life.

1944 - Fundação dos jornais franceses Le Monde e Libération.

1947 - Lançamento da revista semanal alemã Der Spiegel. Década de 50 - A fotocomposição é introduzida na maioria dos jornais e revistas. Os textos e as fotos são produzidos em papel cuchê, montados a mão (past-up) e fotografados (fotolito).

1953 - Fundação do semanário francês L'Express, que leva ao grande público assuntos políticos, financeiros e econômicos.

1968 - O tablóide britânico Daily Mirror torna-se o jornal de maior circulação no Ocidente.

1972 - 1974 - Bob Woodward e Carl Bernstein publicam o escândalo Watergate no Washington Post.

Década de 80 - Com a informatização das empresas jornalísticas, todas as etapas da produção se tornam, digitalizadas. Os textos são elaborados em computador e a editoração eletrônica substitui a fotocomposição. Nesse novo processo, as páginas também são diagramadas no computador e o fotolito é gerado do arquivo eletrônico.

1988 - A Agência de notícias France-Warner, maior conglomerado de mídia do mundo.

1989 - Formação da Time-Warner, maior conglomerado de mídia do mundo. Década de 90 - O sistema filmless (sem filme) possibilita a gravação diretamente no cilindro de impressão por meio de impulsos eletrônicos transmitidos pelo computador, eliminando a utilização do fotolito. O filmless permite também a impressão de uma publicação em diferentes localidades simultaneamente.

1992 - Primeira edição do The New York Times in Review.

1997 - O Museu da Notícia é inaugurado em Washington (EUA). É o primeiro no mundo dedicado exclusivamente à notícia.

1997 - A morte da princesa Diana num acidente de carro em Paris, enquanto fugia de fotógrafos (conhecidos como paparazzi), acirra a discussão a respeito da ética dos meios de comunicação e do direito à privacidade .


Fonte: Almanaque Abril 1999


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